O que 2025 me ensinou sobre Saúde Mental
Janeiro Branco convida a um movimento que vai além das metas e resoluções de início de ano. Ele nos chama à consciência. Olhar para trás, nesse contexto, não é sobre reviver o que doeu, mas sobre reconhecer o que nos formou.
2025 não foi um ano fácil. Foi um ano honesto. E isso, por si só, já diz muito sobre saúde mental.
Saúde mental não é estar bem o tempo todo
Existe uma ideia bastante difundida de que cuidar da saúde mental significa alcançar um estado constante de bem-estar. Mas a prática clínica e a vida real mostram outra coisa. Saúde mental não é ausência de sofrimento, e sim a capacidade de seguir em frente mesmo quando as emoções são difíceis.
Ao longo de 2025, ficou ainda mais claro para mim que tentar evitar emoções como medo, tristeza ou frustração pode até trazer um alívio momentâneo, mas costuma cobrar um preço alto no longo prazo. Quanto mais fugimos do que sentimos, mais nossa vida vai ficando restrita.
Presença é mais importante do que controle
Dentro das terapias contextuais, como a Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), aprendemos que o sofrimento aumenta quando tentamos controlar rigidamente nossa experiência interna. Emoções difíceis não são sinais de fraqueza, mas partes naturais da experiência humana.
Desenvolver presença não significa se conformar ou desistir de mudar. Significa aprender a sustentar o que se sente e, ainda assim, agir de acordo com aquilo que é importante. É isso que amplia a liberdade psicológica.
O papel da consciência no cuidado emocional
Como psicóloga, 2025 também reforçou algo essencial: não é preciso ter todas as respostas. Estar disponível para o processo, com responsabilidade e escuta, muitas vezes é mais transformador do que qualquer técnica isolada.
Isso aparece com muita força no trabalho com pais e responsáveis. Quando a busca deixa de ser por culpados e passa a ser por consciência, o ambiente muda. A relação muda. E o desenvolvimento emocional das crianças ganha espaço para acontecer de forma mais saudável.
Janeiro Branco como compromisso diário
Entrar em um novo ano não deveria significar a promessa de nunca mais sofrer, mas o compromisso de cuidar da mente com mais verdade, menos idealização e mais responsabilidade.
Janeiro Branco é um convite para olhar para a saúde mental como uma construção diária — feita de pequenas escolhas, disponibilidade emocional e coerência com valores pessoais.
Que este novo ciclo seja menos sobre controle e mais sobre presença. Menos sobre perfeição e mais sobre sentido.
Se este texto fez sentido para você, talvez seja um bom momento para se perguntar:
de que forma você tem cuidado da sua saúde mental no dia a dia?
O processo começa pela consciência.